RicardoFoganholo


13/08/2009


A Gripe do Pânico

Desculpem-me os infectologistas e os cientistas das áreas biológicas e médicas, mas parte dos profissionais que lhes compõe as fileiras estão pecando pelo deslumbramento de estarem lidando com uma epidemia genuína nas mãos, e talvez levados por visões de mundo algo influenciadas pelas fantasias cinematográficas, estão irresponsavelmente espargindo pânico entre a população.

 

Independentemente do poderio desta nova cepa de gripe – que não é tão nova assim – cabe-nos observar o comportamento humano frente a hecatombes de toda espécie, aí incluso as pandemias. Não são poucas as pessoas que influenciáveis que são, deixam-se dobrar por informes superlativos acerca de novas doenças que lhes pode bater a porta e, pior que lhes vitimar, dar cabo da vida de seus entes queridos.

 

O Estado brasileiro em suas múltiplas instâncias toma atitudes que apenas reforçam a visão de um cenário dantesco, onde corpos de amontoam sobre outros em pilhas de cadáveres que putrefazem-se pelas esquinas e vielas. A isto soma-se a ignorância acerca dos mecanismos da vida e da morte, acentua-se a idéia atávica da fragilidade humana frente a uma natureza impiedosa; essa visão materialista impregna-se na sociedade, nas pessoas e faz com que todos duvidem de si mesmos.

 

Uma mídia alarmista e sensacionalista mantém esse estado de coisas latente e perene, e tantos quantas forem possíveis de sucumbir pelo pânico instaurado, centenas e até mesmo milhares irão morrer, aumentado as estatísticas numa contagem de corpos que mais se assemelha ao placar de um jogo, onde o time humano não tem recursos e nem forças contra o time da morte.

 

Verifica-se o grau do pânico pela reação das pessoas a uma nova situação que as limita. Que se proponha ao incauto dar opinião contrária a gravidade desta Gripe Suína a um grupelho de mães e terá de correr para evitar seu próprio linchamento – as galinhas tentam manter bem protegidas seus pintinhos debaixo de suas asas, atitude consentida pelo Estado, que suspendeu as aulas. Ouve-se pelas ruas a possibilidade mesmo do encerramento do ano letivo, com reinício das aulas apenas para 2010. Sobrará alguém até lá?

 

Pela absoluta falta de empenho das pessoas por se instruírem, vai lhes faltar nesta e nas futuras pandemias o necessário conhecimento para saberem lidar com o novo, seja ele positivo ou negativo, traga boas ou más conseqüências. Parece-nos correto que não há criatura viva que morra de véspera, nem encontre seu termo no tempo errado. Imaginar que a morte está ligada a um mecanismo aleatório é tão ridículo quanto pensar que a existência é um jogo de dados.

 

Enquanto a Ciência encontra, descobre e compreende leis naturais, parece jogar pela janela tal conhecimento ao recusar a existência de um ponto organizador universal, seja ele chamado Deus ou cousa que o valha. Recusar isto é renegar o próprio conhecimento haurido ao se estudar os fenômenos naturais e seus sistemas organizadores. Uma vez que há uma organização, há uma causa inteligente que o fez de tal forma. É tão simples quanto a lógica mais rasteira pode alcançar.

 

Tenho hipertensão e até onde me informei acerca do assunto corro tanto risco de perder a vida graças à gripe suína quanto se adquirisse uma simples gripe comum. Por conta disto devo afastar-me das lides diárias, temendo por minha própria existência? Não sou contrário a que mães protejam seus rebentos, mas certas medidas tornam-se absurdas e revigoram a cultura do pânico, do terror e da morte iminente – ou seja, em nossa sociedade o materialismo impera: não somos obra do acaso, mas do escarro.

 

Boa morte a todos.

Escrito por Ric às 10h47
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